ASSIS DE EMBU







EMBU - SÃO PAULO - BRASIL




Em 1959 Claudionor Assis muda-se para Itapecirica da Serra, conhece Cássio
M´boy em Embu, e com o seu conhecimento e talento somados a inovação e
orientação de Cássio torna-se um artista de grande importância no
cenário nacional.

Escultor, poeta, de sensibilidade e visão, Assis trouxe para Embu vários
artistas que também se destacaram como Solano Trindade, Takebayashi,
e muitos outros.

Levou para muitos lugares o nome de Embu, sendo um verdadeiro embaixador,
várias vezes premiado no Brasil e em outros países, deixou
um legado digno de reconhecimento.

Manipulando o abstrato obtém, com suas curvas, suas concavidades, seus
vazados, um efeito rico em beleza e emoção... Num país de poucos
escultores, apesar do nome tutelar do Aleijadinho, coloco, hoje, Assis,
entre os maiores, ao lado de Bruno Giorgi, Brecheret, Ceschiatti, Sonia
Ebling e Francisco Stockinger".


por Almeida Sales, Crítico de arte, sobre a arte de Assis do Embu.


Poema à Margarida


Havia flores lindas!
Sobre a relva fétida e espinhosa
Onde urubus passavam sem pousar,
Onde gambás tapavam suas ventas;
Havia flores sobre o asfalto
Esmagadas pelos pneus dos autos,
Pobres pneus que não sabem amar;
Havia flores brotando nas montanhas
Das sementes que eu deixei cair,
Mas o sol,
Mais perto da montanha
Era mais quente
Queimou a flor
Queimou a flor
Havia flores em Hiroshima e Nagasaki
E a bomba atômica desintegrou as flores
Havia flores plantadas sobre as nuvens
E os falsos anjos
Levaram-nas para os falsos deuses
Havia flores nos canteiros das beatas
E elas os levaram para morrer com seus mortos;
Havia flores nas bocas dos canhões
Até que um dia o homem matou a flor
E o homem…
Havia flores sobre os rios,
Sobre os mares,
Mas o homem na ganância do poder
Destruiu as flores
E ensangüentou os mares
Havia flores nos prostíbulos
E os cafetões pisaram as sementes
Havia flores nos guetos de Varsóvia,
E Hitler massacrou-as com seus tanques
Havia, e ainda há flores
No Vietnã,
Na África,
No Iraque,
Mas os Ianques, os russos
Incendiaram-nas com suas bombas.
Destruíram até as flores que
Eu plantei no meu canteiro
A rosa
O cravo
A violeta
A dália
A papoula
O jasmim
A margarida de ontem
A margarida de hoje
Que ontem era vermelha
E quente como o meu sangue
Que ferveu por ela
Mas, passou-se o tempo
E o seu calor foi, foi sumindo, sumindo…
Hoje a margarida é branca
É pálida, é fria
Só tem no centro
O amarelo do desespero
Porque a canalha
Metralha-as de São Domingos
Por que os homens
Ainda massacram seus irmãos?
Até quando, margarida?
Até quando, margarida?
Até quando, margarida?