BENÊ SILVA







EMBU - SÃO PAULO - BRASIL




BENEDITO VICENTE DA SILVA (Benê Silva)
Foi ator, diretor, produtor executivo de teatro, cinema e vídeomaker.


Benê foi presidente do CINECLUBE EMBU DAS ARTES onde desenvolveu
um trabalho importantissímo de resgate cultural, exibindo e produzindo
material de preservação da produção artística embuense.
BENÊ SILVA “Eu, embora seja negro, não sou um negro do movimento. Eu sou um Negro em movimento!” Escrever sobre um grande artista não é tarefa comum. Relembrar seu passado, sua atuação, sua obra torna vago aquilo que próprio renegava. Travestir sua história em fatos que em nada comprovam aquilo que se vivera seria insano de minha parte. Más como homenagear um dos maiores artista negro que este país já teve. Benê Silva morreu. O Nego Dito, como fora citado em uma canção de Itamar Assunção que supostamente tivera feito em sua homenagem, não mais nos dirá “Alegria minha gente!”, como interpelava-nos antes de cada conversa. Benê sofria de câncer desapercebidamente, o que só viera saber há poucos meses com uma internação precoce. Morreu na noite de segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011. Foi enterrado no Cemitério Vale dos Reis, as 16h30 por amigos e familiares. O ator, dramaturgo e cineclubista Benê Silva morreu de complicações decorrentes de um câncer na garganta, na última segunda-feira, 21 de fevereiro, aos 69 anos. Benê Silva chegou a Embu das Artes há alguns anos, passando a integrar a vida cultural da cidade, ligando-se e militando rapidamente no movimento por políticas públicas culturais. Muito ativo, criou o Cineclube de Embu das Artes, levando a sétima arte a vários bairros da cidade. Recentemente sua entidade havia sido uma das escolhidas por Edital para abrigar um ‘Ponto de Cultura’, com apoio da prefeitura e verba do Governo Federal, em reconhecimento a seu trabalho. Atuação marcanteBenedito Vicente da Silva foi Ator, Dramaturgo e Cineclubista, estudou Artes Cênicas na EAD – Escola de Arte Dramática de São Paulo, fez parte do TEN – Teatro Experimental do Negro na década de 1950, no Rio de Janeiro, com a atriz Ruth de Souza. Em 1969, o dramaturgo Plínio Marcos citou Benê como um ator negro que poderia ter sido escolhido para o papel de ‘Pai Tomás’ em uma novela da Globo, que preferiu escolher um ator branco (Sérgio Cardoso) e pintá-lo de preto, ao invés de colocar um negro no papel principal. Dizia Plínio Marcos, no Jornal Última Hora (RJ): “O Sérgio Cardoso é o cara que vai se prestar ao triste papel de se pintar de preto pra fazer o Tomás… enquanto Samuel, Dalmo Ferreira, Benê Silva (formado pela Escola de Arte Dramática), Milton Gonçalves, Antônio Pitanga, Carlão Caxambu e tantos outros atores negros, de valor provado, ficam pegando as rebarbas das quebradas da vida”. A partir dos anos 1970 Benê participou como ator em diversas produções cinematográficas, no Brasil e no Exterior. No Brasil, por exemplo, participou do filme “A Folha do Padre” (1975), dirigido por Tony Vieira. Foi também um dos grandes destaques da montagem brasileira da Ópera-Rock Hair, um manifesto teatral e musical em repúdio à participação dos EUA na guerra do Vietnã. Nos EUA o espetáculo foi transformado em um filme de longa metragem, com grande sucesso mundial. Parte da peça pode ser vista em fotos e som original de ‘Aquarius’ interpretada pelos atores brasileiros, entre os quais Benê Silva: Nos últimos anos, Benê Silva radicou-se no Embu, criando o “Cineclube de Embu das Artes”, oficializado em 10 de setembro de 2006, agitando a cena cultural, participando de todas as iniciativas, debates, fóruns de discussões relativos à promoção cultural na cidade. Na cerimônia de inauguração das atividades do Cine Clube Embu das Artes foi exibido o filme ‘Vida de Artista’, produção e direção do cineasta João Batista de Andrade, então Secretário Estadual de Cultura, que fez questão de participar pessoalmente do evento, a convite de Benê Silva. De 13 de setembro a 02 de outubro de 2006, no mesmo Centro Cultural, foi realizada a Primeira Mostra de Filmes Brasileiros de Embu das Artes, quando foram exibidos diversos filmes nacionais. Benê nasceu em Uberaba, Minas Gerais, em 16 de agosto de 1942, e faleceu aos 69 anos, no Embu, nesta segunda-feira, 21 de fevereiro, tendo sido sepultado no Cemitério Vale dos Reïs, Embu, nesta terça-feira. Benê Silva abre uma lacuna no movimento cultural de Embu, deixando dezenas de amigos e admiradores de seu talento, espírito rebelde, de luta e de vida. Segundo seus amigos, ele sempre dizia estar com sede, adorava beber com os amigos, mas alertava: “Não bebo o meu juízo”. Quando perguntavam o que ele pensava sobre si mesmo e sua obra, dizia apenas: “Sou um negro em movimento”. No Embu cultuou amigos, como Raquel Trindade, Renato Gonda, Ney Silva, Charles Brait, Alexandre Oliveira, entre outros. Na sessão da Câmara de Embu desta quarta-feira (23/2), a pedido dos amigos de Benê Silva, o presidente da Câmara, vereador Silvino Bomfim, leu um breve relato sobre a vida do artista, determinou um minuto de silêncio em memória de Benê. Durante a homenagem, um pequeno filme foi projetado em memória do falecido. (Texto: Márcio Amêndola / Foto-Montagem com fotos de autoria de Charles Brait)