ARI







EMBU - SÃO PAULO - BRASIL



Independência ?


07 de setembro de 1822
já pensando
em nosso baião de dois
D. Pedro primeiro
Leu a carta de seu pai
Que recebeu
Através de um estafeta
E depois escafedeu-se
Atrás da bandeira
Ou debaixo da saia do capeta
Para lêla sossegado.
Segundo D. João
Que na época não era
um João ninguém
se algum aventureiro
lançasse mão da coroa
Leopoldina não seria trem,
D. Pedro I.
Jamais seria também
E a família imperial
Ficaria a deriva sem trem
E sem estações
Que os garantissem
Uma viagem segura
Sem nenhum desassossego
Ao grande destino
Que destinava o Brasil
Como pais do futuro
Desde o passado
Sem apólice de seguro
Até o presente de grego
Por isso D. Pedro primeiro
Após ler a carta
As calças abotoou
Prendeu o suspensório
O cinto apertou
Brandiu a espada
E bradou!!!!!
Independência ou morte
Ou seria sorte
Ou corte
Mas nós somos fortes
E mesmo depois de decretada
A independência de Portugal
E a nossa dependência
Da França, Inglaterra,
Japão, Alemanha,
Estados Unidos, Espanha,
Etc. etc. e tal
E de sermos amarrados no pau
Ou no tronco, é tudo igual
Isso mudou sobremaneira
O destino da jovem e emergente
Nação sula Miranda
Ou melhor Sul-americana
Admirando o luar do Sertão
Da Roberta, do ZeZé,
do Pedro, do Manoel e do Chitão
que despontou
no horizonte das Nações
ou seria do Rincão.
Tanto que até hoje os poderosos
Não se contentando
Com o chicote na mão
Se aprimoraram
Em montar nos trabalhadores
Quando tem trabalho
Nos obrigando a carrega-los
Por um mínimo salário,
Um mínimo de educação,
Um mínimo de Saúde
E um mínimo de Habitação
Nos mantendo no calvário
Sem sorte,
Sem paciência,
Com corte
E sem independência.

(Arimatéia)

Natal sem fome


Moço posso lhe falar?
Por um momento apenas
Se o Sr. Poder me escutar
Prometo não fazer cena
E garanto serei ligeiro
Nessa minha investida
Olha seu moço
Eu não peço dinheiro
Só um pouco de comida
Sabe seu moço
a muito estou desempregado
e mesmo procurando todo dia
eu nada tenho encontrado
pra encher essa barriga vazia
dizem seu moço
que quem sabe faz a hora
mas confesso ao Sr. Que agora
eu não sei o que fazer
então pode? a Sr. Me dizer
a causa desse meu tormento
dessa minha guerra
seria a falta de alimento?
ou o não acesso a terra?
Seu moço
A Deus eu tenho rogado
Por essa alma esquecida
Pois por essa luz que me alumia
Não quero luxo ou mordomia
Só um pouco de guarida
Seu moço
Tu que és o tal
Ajude a combater esse mal
Esse mal que a muitos consomem
Seja mulher seja homem
Me ajude a não Ter fome nesse natal
Me ajude a pelo menos nesse natal
Eu Ter um natal sem fome.

(Arimatéia)